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PF investiga suspeita de ajuda de Eduardo Bolsonaro e do governo argentino na fuga de Flávio Bolsonaro

Esta conversa está sendo útil até agoSenador atravessou a fronteira com a família, embarcou em jatinho particular e seguiu para os Estados Unidos; investigadores apuram possível ajuda externa para descumprir determinação do STF.

© Marcelo Camargo/Agência Brasil

A saída do senador Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil, apesar de uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) que o impedia de viajar ao exterior, tornou-se alvo de uma investigação da Polícia Federal. As autoridades tentam reconstruir os deslocamentos do parlamentar e identificar possíveis envolvidos na operação que permitiu sua chegada aos Estados Unidos.

Um dos principais pontos analisados pelos investigadores é a utilização de um passaporte italiano pelo senador. Embora seus documentos brasileiros, comum e diplomático, tenham sido cancelados por determinação do ministro Alexandre de Moraes, Flávio conseguiu embarcar em uma aeronave particular após atravessar a fronteira com a Argentina.

A confirmação de sua passagem pelo território argentino ocorreu na madrugada de quarta-feira (28), quando a Direção Nacional de Migrações do país informou que o parlamentar havia ingressado legalmente acompanhado da esposa, Fernanda, e das duas filhas menores de idade.

O trajeto começou pela Ponte Internacional Tancredo Neves, também conhecida como Ponte da Fraternidade, que conecta Foz do Iguaçu, no Paraná, à cidade argentina de Puerto Iguazú. A travessia aconteceu na noite de terça-feira (27), pouco antes das 23h.

Falta de registro de saída do Brasil chama atenção da PF

A Polícia Federal brasileira informou que não encontrou registros oficiais da saída do senador ou de seus familiares. A ausência dessas informações está relacionada às características do controle migratório naquela fronteira, onde muitos brasileiros atravessam sem registrar formalmente sua saída.

Diferentemente do procedimento brasileiro, a fiscalização argentina exige apresentação de documentos de identificação para autorizar a entrada no território nacional.

Segundo o governo argentino, Flávio Bolsonaro e seus familiares apresentaram documentos válidos e não constavam impedimentos migratórios que justificassem a recusa de entrada. O procedimento foi realizado normalmente pelas autoridades locais.

Imagens de câmeras de segurança registraram movimentação na ponte por volta das 22h50 de terça-feira, horário próximo ao informado pelas autoridades argentinas para a passagem do grupo.

Jatinho particular fez escala no Equador antes de seguir para os Estados Unidos

Após atravessar a fronteira, Flávio Bolsonaro percorreu o trajeto até o Aeroporto Internacional das Cataratas do Iguaçu, em Puerto Iguazú, localizado a aproximadamente 20 quilômetros da passagem internacional.

De acordo com informações divulgadas pelo governo argentino, o senador e seus familiares embarcaram em um voo privado operado pela empresa Baires, com destino a Guayaquil, no Equador.

A aeronave utilizada foi um Gulfstream G400, modelo executivo com capacidade para transportar até 13 passageiros. O avião oferece estrutura para viagens de longa distância, incluindo acomodações para descanso e cozinha.

Dados de monitoramento aéreo indicam que o jatinho decolou de Puerto Iguazú à 0h22 de quarta-feira, pelo horário de Brasília. A rota foi planejada sem sobrevoar o território brasileiro.

O pouso em Guayaquil ocorreu às 5h46. Pouco depois, às 6h22, a aeronave voltou a decolar, desta vez com destino aos Estados Unidos.

A declaração de voo aponta que Flávio Bolsonaro utilizou seu passaporte italiano para realizar o embarque. A esposa e as filhas viajaram com documentos brasileiros.

Moraes reforça que proibição de deixar o Brasil continuava válida

O ministro Alexandre de Moraes emitiu uma nova decisão judicial esclarecendo o alcance das medidas impostas ao senador.

Segundo o entendimento apresentado pelo magistrado, a proibição de deixar o território nacional decorria diretamente da determinação de entrega e cancelamento dos passaportes brasileiros.

A Polícia Federal informou que havia registrado um alerta no sistema Sonar, ferramenta utilizada para acompanhar informações migratórias e identificar restrições relacionadas a viajantes em aeroportos, portos e postos de fronteira.

A corporação esclareceu, entretanto, que a existência de restrições documentais não transforma automaticamente uma pessoa em foragida, nem autoriza, isoladamente, prisão ou monitoramento permanente.

Investigadores apuram possível participação de Eduardo Bolsonaro e autoridades argentinas

Além de reconstruir o percurso internacional do senador, a Polícia Federal busca esclarecer se houve uma estratégia coordenada para dificultar o trabalho das autoridades brasileiras.

Uma das suspeitas envolve a divulgação de informações contraditórias sobre o paradeiro de Flávio Bolsonaro, que poderiam ter servido para desviar a atenção dos investigadores enquanto o deslocamento era realizado.

Nesse contexto, são analisadas suspeitas de eventual participação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, e de integrantes do governo argentino. Até o momento, as informações apresentadas não comprovam que essas pessoas tenham efetivamente colaborado com a saída do parlamentar.

A empresa responsável pelo voo também aparece em outro contexto investigativo na Argentina. Segundo a imprensa local, a Baires é mencionada em uma apuração judicial sobre um suposto esquema de pagamento de propinas envolvendo Karina Milei, irmã do presidente Javier Milei. Ela nega as acusações. Não há, nas informações apresentadas, comprovação de ligação entre essa investigação e a viagem de Flávio Bolsonaro.

A Polícia Federal continua apurando como o senador conseguiu deixar o Brasil apesar da restrição judicial e se houve auxílio de terceiros para viabilizar o deslocamento internacional.

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